Fadiga após a COVID-19: o que aprendemos até agora?

26/03/2025 08:57

O artigo “Fadiga pós-viral na COVID-19“, publicado por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina sob coordenação do Prof. Dr. Aderbal Aguiar do Departamento de Fisioterapia/CTS, analisa um dos efeitos mais comuns e duradouros da COVID-19: a fadiga pós-viral, popularmente conhecida como “COVID longa”. Após o fim da fase aguda da doença, aproximadamente 80% das pessoas continuam relatando um cansaço intenso e persistente, mesmo aquelas que tiveram sintomas leves ou não sentiram nada durante a infecção inicial.

Essa fadiga se manifesta não só como um cansaço físico constante, mas também como dificuldade em realizar atividades mentais simples, afetando memória, atenção e concentração. Os autores destacam que, diferente do cansaço normal, essa sensação de exaustão ocorre mesmo sem esforço e pode prejudicar significativamente o cotidiano e o retorno ao trabalho.

O artigo apresenta ferramentas para avaliar essa fadiga, como questionários específicos, testes físicos (por exemplo, testes de caminhada) e avaliações cognitivas que ajudam a identificar e medir com mais clareza o impacto da fadiga na vida das pessoas.

Os pesquisadores também discutem as causas da fadiga pós-COVID, sugerindo que uma inflamação prolongada no cérebro e no corpo, danos ao sistema nervoso e fatores psicológicos como ansiedade e depressão são responsáveis por esse quadro. O estudo ainda destaca que mulheres têm maior tendência a desenvolver essa condição prolongada.

Ao chamar atenção para esse problema, o artigo reforça a importância de acompanhar pacientes pós-COVID para melhorar a recuperação e a qualidade de vida das pessoas afetadas por essa nova realidade, incentivando um olhar cuidadoso sobre as sequelas da pandemia.

Campos MC, Nery T, Starke AC, de Bem Alves AC, Speck AE, S Aguiar A. Post-viral fatigue in COVID-19: A review of symptom assessment methods, mental, cognitive, and physical impairment. Neurosci Biobehav Rev. 2022 Nov;142:104902. doi: 10.1016/j.neubiorev.2022.104902